Bom, aqui me encontro. Sentado em minha sala, ouvindo Tim Maia ("… já senti saudade…") e esperando… Amanhã, embarco para minha primeira comissão (que é o mesmo que missão), minha primeira ASSHOP (Assistência Sócio-Hospitalar); estou muito contente que o momento tenha chegado; as expectativas encontrarão o mundo real e eu, um outro mundo.
Subiremos o Rio Juruá, um afluente do Solimões que nasce no Peru e tem águas no Amazonas e no Acre. É um rio importante por aqui, já que serve de hidrovia para diversas comunidades ribeirinhas, as mesmas comunidades nas quais faremos o atendimento e cujos habitantes passarão ter lugar de destaque em minha experiência neste ano: os primeiros rostos dos, talvez, mais significativos pacientes que terei na vida.
Parece que, finalmente, este duro mês de adaptação à nova vida, aos novos hábitos, à distancia, terá a devida recompensa - nossa! Parecia que esse dia nunca ia chegar! Aprendi muito nestes tempos; aprendi a ser um militar (seus códigos, seus comportamentos, seus rituais, sua aparência), aprendi a ficar horas sem fazer nada, somente pensando; aprendi a passar roupa (faço vincos, inclusive!), a cuidar de uma casa; aprendi que e a barrilha que deixa a piscina clara; aprendi o nome de uns tantos peixes amazônicos e que viraram sinônimo de banquete pra mim; aprendi, nos últimos tempos, a comer plantas que só nascem aqui; aprendi a ficar quieto e não expressar minha opinião ("sim, senhor!); aprendi que, em muitos lugares, uma formatura e mais importante que o próprio curso; tenho aprendido a deixar de olhar as coisas com olhos paulistas e, assim, a gostar do lugar onde vivo agora. Aprendi que longe é longe, por mais que, de algumas pessoas, quiséssemos ficar sempre por perto. Também tenho sonhado muito, como se a ausência da minha "rede de sonhos", que ficava pendurada em cima da minha cama, tenha aberto alguma comporta: sonho o tempo todo; sonho vívido; sonho real; sonhos antigos e sonhos novos, com pessoas antigas e pessoas novas. Cada noite, uma viagem diferente, com pessoas diferentes, para lugares já conhecidos.
Pra fechar esta primeira parte do período de adaptação, aconteceu de ficarmos amigos de um pessoal do bairro; por um feliz acaso, viemos morar, justamente, no bairro onde moram os alunos do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia). Formamos uma pequena comunidade aqui dentro, com almoços coletivos, tardes jogando conversa fora num quintal, cerveja no fim do dia, visitas de portão aberto (tudo acompanhado de uma comunidade canina do mesmo tamanho). E eles, que estão aqui ha mais tempo, nos mostram uma cidade que nos cai muito melhor, mais fácil de habitar e de gostar.
Por enquanto, sem muitas coisas concretas para contar e sem muita disposição em expressar em palavras as não concretas; acho que terei mais a dizer quando puder contar dessa minha experiência sidartiana de ouvir o rio.
irado meu querido! palavras inspiradoras.. aquela vontade de mesmo acordado, poder realizar muitos sonhos..
ResponderExcluirvc é daquelas pessoas que a gnt olha e quer se espelhar, quer seguir como exemplo.
espero que vc seja, por puro merecimento, um daqueles privilegiados que conseguem seguir seguindo os seus sonhos ;)
um abração gigante e pode me esperar que vou te visitar sem dúvida alguma! o problema vai ser querer voltar depois hahahaha..
namastê, and good luck 3õ!
pazZzzzzzzz!! thi