Bom! Agora que já terminei de fazer coisas imprescindíveis para minha viagem, ou melhor, para combater a ansiedade – coisas do tipo: limpar o barbeador elétrico, mexer no iPod, cortar as unhas, aparar as costeletas, navegar por sites úteis para esta vida futura, mas, que por enquanto, são apenas imagens concretas da própria ansiedade –, resolvi escrever para responder algumas perguntas que me tem sido feitas por todos a quem conto da viagem. As mesmas perguntas que tenho me feito desde que tive a idéia de embarcar nessa experiência.
Na maioria das vezes, as pessoas ficam curiosas sobre o caráter do trabalho que farei na Amazônia: é obrigatório? É voluntário? É porque você não serviu às Forças Armadas quando fez 18 anos?
Com meu amplo conhecimento de leis e constituições (ou não), encontrei a Lei sobre a qual se baseia o Serviço Militar Médico; é a que está abaixo e é bem auto-explicativa:
“LEI Nº 12.336, DE 26 DE OUTUBRO DE 2010.
Altera as Leis no 4.375, de 17 de agosto de 1964, que dispõe sobre o serviço militar, e no 5.292, de 8 de junho de 1967, que dispõe sobre a prestação do serviço militar pelos estudantes de Medicina, Farmácia, Odontologia e Veterinária e pelos médicos, farmacêuticos, dentistas e veterinários
Os concluintes dos cursos nos IEs (Institutos de Ensino) destinados à formação de médicos, farmacêuticos, dentistas e veterinários que não tenham prestado o serviço militar inicial obrigatório no momento da convocação de sua classe, por adiamento ou dispensa de incorporação, deverão prestar o serviço militar no ano seguinte ao da conclusão do respectivo curso ou após a realização de programa de residência médica ou pós-graduação, na forma estabelecida pelo caput e pela alínea ‘a’ do parágrafo único do art. 3o, obedecidas as demais condições fixadas nesta Lei e em sua regulamentação.”
Ou seja, fui, sim, obrigado, por uma Lei válida desde tempos sombrios da história de nosso país, a me apresentar às Forças Armadas quando terminei o curso médico. Como sabemos, o Estado brasileiro é insuficiente em prover todos os direitos básicos a todos seus cidadãos, fato ainda mais evidente quando falamos de regiões longínquas desta “pequena” terra. Dentro deste quadro, cabe às Forças Armadas cumprir o papel de Estado nestes locais mais ermos, sendo, lá, a única – e, senão a única, a mais presente - expressão da República Federativa do Brasil.
É aí que eu entro: as Forças Armadas tem um número de vagas para MFDV (Médicos, Farmacêuticos, Dentistas e Veterinários) a serem preenchidas todo ano; muitas das vagas são relativas a bases, quartéis e centros tecnológicos militares e o médico acaba atendendo somente seus, agora colegas, militares. Outras vagas são utilizadas para cumprir este papel de “Estado Presente” em regiões de difícil acesso, como as comunidades ribeirinhas da Amazônia Legal. E “Estado Presente”, entre outras coisas, significa saúde!
Apesar do caráter obrigatório do alistamento dos MFDV, a Força Aérea e a Marinha incorporam apenas voluntários. Explico: para poder ir para Manaus, fui voluntário para a Marinha dentro de um sistema de alistamento obrigatório para as Forças Armadas. Você também tem a opção de ser “não voluntário” para nenhuma das Armas e conseguir escapar da incorporação se for muito bem (nem precisa ir tão bem assim...) na colocação geral do processo seletivo. Por outro lado, se o “não voluntário” vai mal no processo seletivo, a lista é invertida e ele, agora, está no topo das convocações compulsórias para vagas às quais não apareceram voluntários, como, por exemplo, médico de uma base militar na Cabeça do Cachorro – imagina só...
A pergunta natural que segue na conversa é, geralmente, “o que você vai fazer lá?” e, como disse, serei médico da Marinha do Brasil.
Há duas modalidades de serviço médico em Manaus: médico de terra e médico embarcado.
O médico de terra fica hummmm... em terra! Eureka! Isso quer dizer que ele atende, na base, a comunidade militar (incluindo suas famílias, dependentes etc), durante meio período do dia; vez ou outra, estes médicos passam a compor equipes médicas que partirão para missões assistenciais às comunidades ribeirinhas, ficando até dois meses em navegação. Já o médico embarcado, por sua vez, é o oficial médico da embarcação (a Marinha tem 3 navios equipados para assistência médica – e que navios, diga-se de passagem!); isso significa que ele está atrelado à embarcação, como um servo a seu feudo. O médico embarcado sai em todas as missões que aquele navio realiza no ano (o que dá, mais ou menos, o dobro de dias de navegação de um médico de terra), participa de viagens de qualquer caráter daquela embarcação (teste de motor, exercícios e afins) e, quando o navio está aportado em Manaus, atende somente sua tripulação.
Quem me conhece pode adivinhar qual modalidade de serviço eu quero; mas, de qualquer forma, só posso escolher depois do treinamento básico.
E a derradeira pergunta tem sido “mas, e aí, onde você vai ficar agora?”. A resposta é a seguinte: no quartel! Tenho oito semanas de treinamento básico (seja lá o que for isso) e, depois, devo mudar para um casa com a Vanessa, o Cássio e o Daniel – todos amigos queridos da Santa Casa –, a futura famosa república Novos Baianos.
É isso! Selva! Saúde onde houver vida!

Boas viagens, externas e internas ;)
ResponderExcluirO pelotão do banho fica aguardando novidades manauaras, nao esquece de postar as fotos de uniforme, haha!
Beijoooo!
Lyca
aee garoto! boa sorte doutor!
ResponderExcluirabraço
boa!
ResponderExcluirMestre,
ResponderExcluirnão tive ainda a oportunidade de te parabenizar por tudo que esta acontecendo. Te desejo toda a sorte nessa experiência!
"Experience is what causes a person to make new mistakes instead of old ones"
Beijos, se cuida e vou acompanhar seu blog. Capricha que vou te visitar alguma hora!
Alex
Mo! Não consegui me despedir direito, mas o peixe cru da Liberdade ficou na memória.
ResponderExcluirUma coisa que eu escrevia pouco no meu blog, era sobre mim mesmo, tente fazer um pouco disso além de, claro, contar as histórias e curiosidades.
beijo!
DIEGO